O Bitcoin abriu a semana abaixo de oitenta mil dólares e hoje sobe novamente, negociado em 84.805,81 dólares. Oscilações rápidas assustam, mas na Consultoria Bassanesi entendemos que preço nunca se lê sozinho. É preciso contexto.
Nesta semana, dois movimentos se cruzaram. Primeiro, o ajuste global iniciado no começo de novembro. Segundo, a crise da Strategy, a empresa de Michael Saylor que se tornou o maior comprador institucional de Bitcoin do mundo. A volatilidade nasce exatamente da soma desses fatores.
1. A Strategy entra em zona de tensão
A Strategy, antes MicroStrategy, caiu mais de quarenta por cento em um mês. O gatilho foi simples. Um relatório do JPMorgan afirmou que a MSCI pode retirar a companhia de seus índices globais. A razão é objetiva. Empresas que usam o caixa para comprar Bitcoin são, segundo a MSCI, mais parecidas com fundos do que com companhias operacionais.
Se a Strategy for removida do MSCI USA, MSCI World e Nasdaq 100, até 2,8 bilhões de dólares podem sair automaticamente do papel. Os fundos passivos seriam obrigados a vender. Isso reduz liquidez e aumenta oscilação. É mecânico.
Mas nada disso mata a empresa. Se tirarem a Strategy dos índices, Saylor pode criar um novo veículo corporativo ou estruturar um fundo próprio. O mercado, porém, não espera a solução. Reage antes. E vende antes.
2. Por que isso afeta o Bitcoin?
Porque a Strategy virou, nos últimos cinco anos, a porta de entrada de milhares de investidores que não queriam comprar Bitcoin diretamente. Ela funcionava como um “ETF disfarçado” dentro da bolsa americana.
Se essa porta balança, o fluxo diminui.
E se o fluxo diminui, o preço corrige.
Bitcoin caiu por reflexo, não por fundamento.
E isso é fundamental.
Mesmo se liquidassem alguns bilhões em BTC, seria irrelevante diante do tamanho real do mercado, que já ultrapassa 1,6 trilhão de dólares. A queda aconteceu por causa da ponte, não do ativo.
3. O efeito dominó: ETFs, baleias e varejo
O impacto da Strategy ganhou força com três fatores adicionais.
- Um grande investidor vendeu posições equivalentes a um bilhão de dólares em Bitcoin. Analistas tratam isso como um terremoto. Não é. Um bilhão é um milésimo do mercado de Bitcoin. Não derruba nada sozinho.
- ETFs de Bitcoin registraram saídas de quatro bilhões de dólares em novembro. Isso não destrói preço, apenas reduz entrada líquida.
- Investidores de varejo migraram para ETFs de ações. A migração não derrubou os ETFs de ações, nem faria, porque o dinheiro não saiu do mercado, apenas mudou de prateleira.
O varejo não abandonou o Bitcoin. Apenas não quer entrar no baile enquanto a banda troca de música. Ele espera a orquestra ajustar o ritmo.
4. A macroeconomia continua sendo o pano de fundo
Analistas repetiram que a possível ausência de corte de juros em dezembro pressionou os ativos de risco. Dizem isso como se uma frase assim mudasse o mundo. Não muda. Juros não são interruptores mágicos.
Na prática, o que houve foi um ajuste normal.
As expectativas mudaram. Os preços ajustaram.
E hoje à noite a expectativa mudou de novo. O mercado voltou a acreditar em corte. O Bitcoin parou de cair. O ciclo é esse. Expectativa, correção, alívio.
O mundo não entrou em crise. Apenas reduziu a euforia.
5. A serenidade da Ásia
Os mercados asiáticos fecharam o pregão do dia anterior em alta.
Nikkei subiu. Hang Seng subiu. Shanghai subiu.
E o MSCI Ásia-Pacífico atingiu máxima de quatro anos e meio.
O mundo não tremeu. Apenas respirou.
6. Bitcoin recupera e volta ao patamar de equilíbrio
Depois de tocar níveis perto de oitenta mil dólares, o Bitcoin estabilizou. Não uso aqui a palavra resistência porque ela sugere uma barreira mística. Preço é comportamento, não muro.
Os preços encontraram regiões de interesse comprador entre setenta e nove mil e oitenta mil dólares. A partir dali o mercado voltou ao equilíbrio.
7. O ponto que muita gente esquece
Para quem lê este artigo pela primeira vez, o recado é simples.
Moedas tradicionais exigem fé no governo.
Criptomoedas exigem fé tecnológica.
Bancos exigem governança.
Empresas como a Strategy exigem índices e metodologia.
O ouro não exige nada disso.
Ele existe. Protege em silêncio.
Por isso a proteção patrimonial precisa de duas camadas.
• Ativos de crescimento: Bitcoin, ações e tecnologia.
• Ativos permanentes: ouro físico.
A turbulência desta semana não derrubou o Bitcoin. Apenas lembrou que nenhum mercado sobe em linha reta. E que, sem equilíbrio de carteira, toda volatilidade se transforma em susto.
8. Conclusão
O Bitcoin não desabou. Ajustou.
A Strategy não quebrou. Reprecificou.
O mercado não entrou em pânico. Respirou.
E o ouro não precisou fazer nada. Protegeu.
O inexplicável só parece inexplicável quando se olha o dia.
Quando se olha o contexto, tudo se encaixa.
O mundo de 2025 está funcionando normalmente.
Apenas voltou ao real.
